Aonde a gente vai papai?

“Aonde a Gente Vai, Papai?” é a pergunta, repetida incansavelmente, que uma das crianças faz sempre que entra em um carro. Seria normal, se a pergunta não se repetisse por mais de dez anos. Seus dois “passarinhos”, os irmãos Thomas e Mathieu, jamais aprenderiam a ler, jamais compartilhariam com o pai as aventuras de um personagem de história em quadrinhos.

Fournier mostra que o riso é quase proibido àqueles que convivem com a tragédia; que é pecado fazer graça de um filho lambuzado – algo que diverte os que acompanham o desenvolvimento normal das crianças. Fazer piadas torna-se um passaporte para o inferno. Como se ele já não estivesse na Terra!

Sem medo de mostrar a fraqueza demasiado humana e o sentimento ambíguo que o levam a, por vezes, odiar aquelas eternas crianças, o autor só gostaria de ouvir os filhos se gabarem dele por terem um pai que cria desenhos animados e histórias que muitos outros não fazem. Mas Thomas e Mathieu não entendem seus desenhos nem lêem suas fábulas. Essa experiência paterna é relatada por Fournier sem apelo, com franqueza e ternura singulares.

O livro é de certa forma aterrorizante, me peguei diversas vezes desejando que isso (ter filhos “especiais”) nunca acontecesse comigo. O autor e pai em questão, faz duras críticas ao seus filhos e a falta de sorte em tê-los. Tamanha é a sinceridade e sentimentos contidos nessas páginas que somos pegos desprevenidos com a realidade fria e cruel por trás daqueles que convivem com filhos deficientes de doenças mentais ou motoras.

Durante a leitura nos deparamos com frases do tipo: “com frequência, não conseguia suportá-los”, “era difícil amar vocês”. Mas também, depois de vermos o autor comparar os filhos ao E.T. e ter a fantasia de deixá-los dentro de uma jaula de tigres em uma visita ao zoológico isso nem nos espanta tanto assim. Mas Fournier se justifica “com vocês era preciso ter paciência de santo, e eu não sou santo”. Mas afinal, quem é?

A leitura é fácil, em textos curtos, mas expressa intensamente cada palavra descrita. É um “tapa na cara” do leitor.

É triste a realidade de se ter um filho deficiente, e mesmo tendo lido e entendido cada descrição irônica, tristeza contida, ou cada frustração de um pai que não verá seus filhos crescerem, terem um carreira na vida, casar, lhe dar netos, ou até mesmo o simples fato de saber que nunca os ouvirá perguntando como foi o seu dia, ou lhe desejando um feliz dia dos pais, mesmo tendo lido tudo isso, eu não sei de verdade o que se passa no coração de um pai como este. E apesar, de ter vivido com seus dois filhos, considerados como dois ‘fins do mundo’, ele não perdeu a ternura ao cuidar e ao dar amor a cada um deles.

Desejo a todos uma ótima leitura, assim como eu tive.

Até a próxima!

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Resenha: 72 Horas para Morrer (Book Tour)

Sinopse: Pior do que conhecer um Serial Killer, é um Serial Killer conhecer você!

“O Carro pertence à sua namorada.”

Com essas palavras, Júlio Fontana, delegado da pacata cidade de Novo Salto, tem a vida transformada em um inferno. Pessoas próximas começam a ser brutalmente assassinadas, como parte de uma fria e sórdida vingança contra ele. Agora, Júlio terá que descobrir a identidade do responsável por esses crimes bárbaros, antes que sua única filha se torne o próximo nome riscado da lista. 72 Horas para Morrer é uma corrida frenética contra o tempo, que prenderá o leitor do início ao fim.

O livro é brutalmente tenso.

Quando comecei a leitura de 72 Horas para Morrer, achei que seria um livro previsível, mas logo no primeiro capítulo me surpreendi. O autor Ricardo Ragazzo te leva entre as palavras sem que você sinta o tempo transcorrer. O livro é objetivo e cheio de mistérios, além de envolvente e muito angustiante.

As descrições de cenas brutais e de muito terror ficam na mente como se eu estivesse presente na cena do crime.

A estória é recheada de tortura, sangue e morte e o melhor (pra mim…rs) é que o envolvimento durante a leitura é tão grande, que a corrida contra o tempo para chegar ao assassino nos leva a mergulhar dentro das páginas desse livro de tal forma que nos sentimos fazendo parte da trama.

Em muitos livros, torcemos ou buscamos nos identificar, de alguma forma, com algum personagem da estória, mas em 72 Horas para Morrer é bem difícil decidir que rumo tomar. Todos os personagens descritos na trama nos prendem e ao mesmo tempo, no primeiro momento de dúvida, os soltamos fácil. Acredito que isso tenha sido um jogo proposital do autor para deixar o leitor ainda mais confuso e apreensivo durante a leitura.

Não gosto de dizer detalhes do livro nas minhas resenhas, porque acredito que o que mais vale é aguçar a curiosidade, deixando para os leitores a descoberta sobre o desenrolar da estória.

72 Horas para Morrer é o tipo de livro que indico a quem procura sair da mesmice. E posso garantir que o suspense e a expectativa causados pelo autor não decepciona no final.

Fica a dica de leitura pessoal!

Até a próxima!

Livro: 72 Horas para Morrer
Autor: Ricardo Ragazzo
Editora: Novo Século
Ano: 2011
Páginas: 254

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Novo livro de J.K. Rowling, “The Cuckoo’s Calling”, já tem editora no Brasil!

No último sábado o mundo editorial foi surpreendido com a notícia de que a autora J.K. Rowling publicou um novo livro de sua autoria em abril deste ano sob o pseudônimo de Robert Galbraith.

Após essa revelação, “The Cuckoo’s Calling”, o primeiro de uma série cujo próximo volume deve sair em 2014, atingiu em 24 horas o primeiro lugar da lista de best-sellers da Amazon, tanto na Grã-Bretanha quanto nos EUA.

Diante de tamanha recepção por parte dos leitores, ficou a dúvida de qual editora traria a obra para o nosso país. Segundo a Raquel Cozer da Folha, o livro já tinha editora antes mesmo da informação vazar; seus direitos foram comprados pela Rocco, responsável pela publicação de todos os livros Potter no Brasil.

Segundo Raquel, a obra foi oferecida a editoras de vários países que já haviam publicado Rowling, ou que concorreram no leilão de seu último livro, Morte Súbita; ou seja, apenas a editoras que os agentes de Rowling conheciam bem.

Embora a fonte seja segura, a Rocco ainda não se pronunciou oficialmente a respeito.

Fonte: potterish.com

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Resenha: O Diário de Anne Frank

Espero poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje,
e espero que você venha a ser um grande apoio e um grande conforto para mim.

(Anne Frank, 12 de junho de 1942.)

Assim, Anne Frank inicia o seu famoso diário.

“A fim de destacar na minha imaginação a figura da amiga por quem esperei tanto tempo, não vou anotar aqui uma série de fatos banais, como faz a maioria. Quero que este diário seja minha amiga e vou chamar esta amiga de Kitty. Mas se eu começasse a escrever a Kitty, assim sem mais nem menos, ninguém entenderia nada. Por isso, mesmo contra minha vontade, vou começar fazendo um breve resumo do que foi minha vida até agora.”

Domingo, 14 de junho de 1942

“Vou começar a partir do momento em que ganhei você, quando o vi na mesa, no meio dos meus outros presentes de aniversário. (Eu estava junto quando você foi comprado, e com isso eu não contava.)

Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas, o que não é de espantar; afinal, era meu aniversário. Mas não me deixam levantar a essa hora; por isso, tive de controlar minha curiosidade até quinze para as sete. Quando não dava mais para esperar, fui até a sala de jantar, onde Moortje (a gata) me deu as boas-vindas, esfregando-se em minhas pernas.

Pouco depois das sete horas, fui ver papai e mamãe e, depois, fui à sala abrir meus presentes, e você foi o primeiro que vi, talvez um dos meus melhores presentes. Depois, em cima da mesa, havia um buquê de rosas, algumas peônias e um vaso de planta. De papai e mamãe ganhei uma blusa azul, um jogo, uma garrafa de suco de uva, que, na minha cabeça, deve ter gosto parecido com o do vinho (afinal de contas, o vinho é feito de uvas), um quebra-cabeça, um pote de creme para o corpo, 2,50 florins e um vale para dois livros. Também ganhei outro livro, Câmera obscura, mas Margot já tem, por isso troquei o meu por outro, um prato de biscoitos caseiros (feitos por mim, claro, já que me tornei especialista em biscoitos), montes de doces e uma torta de morangos, de mamãe. E uma carta da vó, que chegou na hora certa, mas, claro, isso foi só uma coincidência.” (…)

Como não tem nenhuma amiga para compartilhar suas intimidades, Anne começa a escrever então longas cartas para Kitty.

Aos poucos a inocência de suas palavras vão tomando uma proporção cada vez maior no período de Guerra, quando sua família busca abrigo em um sótão do prédio que ficava atrás do escritório de seu pai.

NOTA: Em julho de 1942, as autoridades alemãs e seus colaboradores holandeses começaram a concentrar judeus de todo o território holandês em Westerbork, um campo de trânsito próximo à cidade holandesa de Assen, não muito distante da fronteira com a Alemanha, de onde os deportaram para os campos de extermínio de Auschwitz-Birkenau e Sobibór, na Polônia, então ocupada pelos alemães.

As cartas escritas a Kitty se multiplicam com rapidez. Durante sua permanência no Anexo Secreto, o diário torna-se muito importante para ela. Serve como um desabafo.

Quem escreve um diário, procura anotar seus pensamentos íntimos e reflexões. Anne Frank tenta descrever, o máximo possível, a vida cotidiana da casa de trás e as notícias que chegam de fora. Às vezes acontecem casos emocionantes para relatar, como bombardeios e tentativas de assaltos no meio da noite. Durante a narrativa, Anne consegue comentar de forma acertada as transformações de cada um dos que estão escondidos com ela, com sinceridade e um tanto irreverente em várias ocasiões. Anne Frank descreve as coisas com seu espírito crítico; não somente as alheias, mas também as próprias.

Em 16 de março de 1944, Anne anota: “O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso descrever; senão, me asfixiaria completamente”.

Anne preenche folhas e folhas de seu diário, durante os dois anos em que passou na clandestinidade. O fato de que deve manter-se em pé naquelas circunstâncias tão peculiares, faz com que amadureça mais rápido do que os outros jovens de sua idade.

O livro é carregado de honestidade e simplicidade com pensamentos e anseios  de uma jovem que vive momentos de muita luta e determinação temendo constantemente o dia de amanhã, ao mesmo tempo em que mergulha fundo nos planos de um futuro um tanto incerto.

“Cheguei ao ponto em que nem me importo se vivo ou se morro. O mundo vai continuar girando sem mim, e não posso fazer nada para mudar os acontecimentos. Vou deixar que as coisas sigam o seu rumo e me concentrar no estudo e na esperança de que tudo acabe bem.”

A todo momento enquanto lia o livro, parava, refletia, olhava para a fotografia da menina sorridente e pensava o quanto já tinha acontecido a ela em um tempo em que eu nem sonhava em nascer.

Outra coisa que me pegava pensando diversas vezes, era de como as palavras sobrevivem ao tempo. Eu estava ali, segurando nas minhas mãos o relato de uma pessoa que existiu e que deixou aquela escrita para trás. Toda a alegria e tristeza de um ser humano que vivenciou um dos momentos mais tristes e desesperador da história.

Esse fato emocionava e me fazia sentir, de certa forma, especial. Porque, pra mim, o Anexo Secreto da Anne, era também um pouco meu a cada página que eu virada.

Um lugar quase seguro…

“Como refúgio, a casa de trás é ideal; ainda que seja úmida e está toda inclinada, estou segura de que em toda Amsterdã, e talvez em toda Holanda, não há outro refúgio tão confortável como o que temos instalado aqui.”

(Anne Frank, em seu Diário)

Ao fechar o livro a sensação de tristeza ficou entalada na minha garganta. Com os olhos marejados olhei para o céu e fiquei pensando na dor e desesperança que a guerra proporcionou, em maioria, aos judeus.

“Não acredito que somente os grandes, os políticos, os capitalistas, sejam responsáveis pela guerra. Oh, não! O homem comum é tão culpado quanto eles, se não os povos do mundo já teriam insurgido, revoltados. Simplesmente existe nas criaturas uma verdadeira sanha de destruir, de matar, de assassinar, e até que a humanidade inteira sofra uma grande transformação, explodirão novas guerras e tudo o que foi construído, cultivado e plantado será novamente destruído e desconfigurado. Aí então, a humanidade terá de recomeçar tudo outra vez.”

Espero de verdade, que leiam este livro. E que conheçam através das palavras e relatos de Anne Frank, uma visão mais clara e real do tempestuoso período que foi a Segunda Guerra Mundial.

Sei que eu mesma demorei muito para lê-lo. Mas garanto que se tem um livro que precisa ser lido, é este.

Título: O Diário de Anne Frank
Autora: Anne Frank
Editora: Record
Páginas: 349

Fonte: starnews2001

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Resenha: Estado de Graça

Sinopse: A Dra. Marina Singh trabalha para uma empresa norte-americana que financia o desenvolvimento de uma nova droga na Amazônia. À frente da pesquisa está a Dra. Annick Swenson, que descobriu uma tribo isolada na floresta cujas mulheres permanecem férteis por toda a vida e dão à luz filhos saudáveis depois dos 60 anos, graças ao hábito de mascarem a casca de determinada árvore. Um medicamento feito a partir dessa substância significaria a solução para os problemas de fertilidade de mulheres em todo o mundo.

Implacável e intransigente, a Dra. Swenson faz de tudo para proteger sua pesquisa dos olhos ambiciosos da indústria farmacêutica e manter em segredo as informações sobre o progresso com os estudos. Após a morte de um colega de laboratório, Marina é enviada ao Brasil com o objetivo de encontrar respostas. Numa odisseia pela Amazônia infestada de insetos, Estado de graça convida o leitor a desvendar os mistérios guardados no coração da floresta.

Li a sinopse deste livro e logo de cara fiquei interessada na leitura. Admito que também adorei a capa de ‘Estado de Graça’, parece um livro velho e amarelado e a textura é muito gostosa de sentir.

A autora Ann Patchett proporciona ao leitor uma viagem ao coração da Amazônia, ao mesmo tempo instigante e atordoante. Vários mistérios durante a narrativa me deixaram intrigada, mas, infelizmente, enquanto o final do livro se aproximava, comecei a ficar angustiada, pois minhas dúvidas foram crescendo e as repostas foram ficando cada vez mais enigmáticas.

A leitura é muito fácil e simples, mas na minha opinião o livro poderia ter sido um pouquinho mais longo. Acho que algumas coisas passaram batidas durante a estória e muita coisa ficou no “ar”. Sem explicações aprofundadas e com muitas teorias do que pode ter acontecido, ‘Estado de Graça’ é um daqueles livros que deixa o final aberto. Entende? Do tipo que diz pra você assim: – Podem ter acontecido diversas coisas diferentes, e você que fique com a opção de escolher o que acha que aconteceu.

Talvez isso seja um problema meu mesmo, não gosto muito de suposições. Então, por isso o final do livro não me agradou muito.

Mas mesmo assim, Estado de Graça vale a pena! =)

Livro: Estado de Graça
Autora: Ann Patchett
Editora: Intrínseca
Páginas: 304

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